Começamos neste charmoso restaurante em Champagne perto de Paris, nada mais que uma hora e meia de carro da capital.
Daqui eu os levarei a um passeio virtual para cinco lugares imperdíveis na França. Principalmente, para quem gosta de vinho e gastronomia. São lugares variados, de norte a sul e de leste a oeste deste que é um dos principais países produtores de vinho.
São locais épicos com vinho e gastronomia muito diferentes entre si. E só escolher.

 

CHAMPAGNE
A abençoada região de Champagne possui clima e solos ideias para o cultivo das castas que darão origem ao vinho base, tradicionalmente, Pinot Meunier, Noir e Chardonnay. Solo de calcário armazena água de estações mais chuvosas e a libera nas mais quentes. Este o grande segredo de Champgane. Assim temos condições ideais para termos uvas perfeitamente maduras mas com grau de acidez elevado.
Falar de Champagne e não falar dos Monges é não falar deste vinho.
As primeiras vinhas foram plantadas pelos Romanos. Na Idade Média, as pequenas cidades feudais viviam em função dos nobres e da Igreja. Quer queiram quer não, a Igreja, nesta época desenvolveu importante papel na sociedade. As Abadias, do latim Abattia deriva do aramaico Abba (Pai), eram verdadeiros oásis na selva que era a vida fora dos burgos e das áreas controladas pela Igreja.
Igrejas antigas estão espalhadas por toda a região de Champagne.
Nos Mosteiros, Conventos e Abadias a vida seguia em segurança, algo como um condomínio fechado, se assim posso comparar, onde se desenvolvia a gastronomia, a cultura e, claro, o vinho.
Bem como dito a ligação entre Igreja e Monarquia era muito próxima, inclusive alguns Reis resolveram, por si, criar Igrejas ou mesmo ser um déspota iluminado, que o diga o Rei Sol, Luis XIV, os Champagnes logo ganharam os salões e se tornou sinônimo de vinho cheio de Glamour.
A Catedral de Reims que o diga, muitos casamentos reais foram realizados aqui.
Esta a primeira dica. Quem gosta das borbulhas imperdível o passeio por entre ruelas das vilas medievais e perder-se nos pequenos bistrôs para um bom champagne regado a gastronomia local.

 

BORGONHA
O coração da Borgonha, Côte D’Or, terra dos melhores Chardonnay e Pinot Noir deste planeta estão concentrados neste pequeno trecho, algo como 30 quilômetros de noroeste a sudeste e, pouco mais que 8 quilômetros de largura. Ali concentra-se muito da história do vinho no mundo.
Várias vilas medievais dão o tom por aqui. Suaves encostas onde se plantam estas duas uvas há mais de 1.000 anos, exatamente isto.
A Borgonha é uma das famosas regiões produtoras de vinho. No centro norte da França. Produz ao sul a Gammay, na Cote D’Or coração da Borgonha, Pinot Noir e Chardonnay e ao noroeste, Chablis, com seus espetaculares Chardonnay.
Mas como toda a grande região de vinho garante ótimos vinhos, mas não garante a honestidade de seus produtores, além, de ter seus segredos.
A história é forte na Borgonha, além destes telhados famosos como o da foto acima, a Borgonha é famosa pelos seus Monges Cistercienses, Ordem da qual Don Pérignon, aquele que dizem ser o responsável pela “criação” do Champagne, fazia parte. O certo é que estes Monges, em épocas feudais detinham o conhecimento da culinária, da cultura, obviamente da religião e do vinho e da cerveja. Foram eles que detalhadamente especificaram o terror da Borgonha.
Mas também, ao lado dos Monges estavam os poderosos Duques da Borgonha, no período de 1360 até 1480, sob a dinastia Flanders, simplesmente comandaram o espetáculo político e econômico na França. Vamos desde Felipe o Bravo até Carlos o Temerário (sugestivo este apelido). Indo de grandes conquistas territoriais como a Bélgica e a Holanda até a Batalha de Agincourt (vejam o filme Henrique V, além de único é uma síntese do período) quando compartilharam o reino da França com os ingleses, até a morte de Joanna D’Arc. Estes Duques trouxeram para a Borgonha o que havia e melhor em termos culturais, arquitetura, arte e gastronomia
Um bom exemplo arquitetônico é este antigo Hospício de Beaunne com os telhados de cerâmica, ainda existentes nos prédios antigos de Dijon e nas pequenas cidades medievais a sua volta. Neste local, hoje, realizam-se leilões de venda de vinho e uvas para produtores independentes.
A Borgonha, depois da queda da Bastilha foi desapropriada e picotada por Napoleão que a vendeu a comerciantes abastados da época. Por isto temos, hoje, proprietários com fileiras de vinhedos e até mesmo alguns hectares, casos mais raros.
Vários produtores alguns estilos diferentes de elaborar os vinhos com as mesmas uvas. Soma-se os vários micro climas que a região possui e temos um caleidoscópio de aromas e sabores para duas uvas.
Um dos mais renomado proprietários possui dois campos de futebol do melhor terroir para a Pinot Noir no mundo. Romanée- Conti na pequena vila de Vosne-Romanée.
Portanto percam-se nestas pequenas cidades e visitem estes produtores, a viagem é divina.

 

ALSÁCIA

Depois de muitos conflitos sangrentos com os alemães esta região, hoje, é um show. Unindo costumes gastronômicos e culturais com a Alemanha temos o que há de melhor em termos de vinhos brancos no mundo. Para quem gosta deste estilo, viagem imperdível.
Tendo a cidade de Colmar como centro temos 200 quilômetros de norte a sul a serem percorridos, apreciados, vistos e revistos.
Cada parcela destes vinhedos nos trazem vinhos de elite mundial.
Há vinhos brancos para todos os estilos, desde os secos até os late harvest, passando pelo espumante local, o Crémant dd’Alsacie, até chegarmos nos aromáticos com uma combinação ímpar entre açúcar, acidez e álcool.
São também vinhos que formam grande parceria com a gastronomia local, vão muito bem com a culinária alemã, com comidas mais leves e enfrentam com maestria pratos orientais.
Ali encontraram refúgio seguro castas como Sylvanner, Riesling, Gerwurtztraminer, Pinot Gris e Pinot Blanc.
Não deixem de se deixar levar neste paraíso.

BORDEAUX
Essencial para os que desejam apreciar o que a França tem de melhor em termos de enogastronomia.
Tudo funciona em razão deste rio/estuário. O Gironde.
Terra dos grandes e espetaculares Chateau, ao estilo Margaux, Latour entre outros vinhos que rodam o imaginário do enófilo.
Mas antes de esmiuçar este mapa, penso que algo deve ser dito em termos de história. Bordeaux é mítica para o vinho, mas seria tão mítica quanto outras regiões menos conhecidas? E qual a razão de tanta divulgação de Bordeaux?
Tudo começa, obviamente, com os romanos que introduziram a vinha nesta região da França vindos do leste, portanto ao lado direito do rio Gironde, que divide a região em duas, como veremos adiante.
Até aí, tudo igual a qualquer outra região produtora na França. O grande empurrão para o desenvolvimento e internacionalização dos vinhos de Bordeaux veio pelo casamento do inglês Henry II e Eleonor de Aquitânia, no ano de 1.156. O rapaz (Henry II) era o todo poderoso dono e senhor do seguinte território na França medieval. Este casamento tornou a região da Aquitânia, da qual Bordeaux faz parte, território inglês.
Portanto, foi do casamento de um herdeiro do trono inglês, Henry II e a Duquesa Eleonora da Aquitânia que nasceu o comércio de vinho francês para a Inglaterra. E até hoje continua em alta.
Importante destacar a geografia de Bordeaux. Ali os rios que cortam a região dão o tom.
Três rios definem as sub-divisões:
– A direita do rio Dordogne.
– Entre duas águas, área entre os rios Dordogne e o Garonne, no centro da região.
– A esquerda do rio Garone, regiões oeste e sul de Bordeaux. E se sub-divide em Graves e Médoc.
As uvas principais de Bordeaux são as tintas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc e Merlot. A Cabernet Franc originária do Loire, Chinon, mais especificamente. O famoso corte bordalês.
Nas brancas a Sauvignon Blanc e a Semillon dão as cartas. Desde os vinhos de sobremesa até os crocantes vinhos brancos jovens.

PROVENCE
No sul da França, terra de luzes, sol e praias temos a Provence. Mais acima os perfumes e as plantações de lavanda. Mas, terra de vinho rose. A especialidade da região.
Novamente ruelas que parecem levar a lugar nenhum têm como destino final pequenos restaurantes mágicos.
ma região onde os vinhedos sofrem climas extremos, verões e invernos rigorosos e secos. As vinhas estão numa altura média de 400 metros.
Uvas tradicionais do Mediterrâneo, Grenache, Carignan e Ugni Blanc. Produz tintos, brancos e roses. Os tintos dominam, como os vinhedos são situados em altura e o clima é seco, temos, no final da maturação uma grande diferença de temperatura o que nos traz tintos robustos e tânicos, precisando de tempo de garrafa para amaciar os taninos.
Bouches Du Rhone ou boca do Rhone é exatamente o local de desague do rio Rhone e, por consequência, local de subida do rio onde os mercadores levavam as especiarias vindas do oriente.
Aqui as principais cidades são: Arles (moradia de Van Gogh na Provence), Saint Remy, local onde o internaram, Aix-en-Provence, cidade natal de Cézanne, outro espetacular pintor que conseguiu eternizar as cores e a vida da Provence e Marselha, capital e principal cidade da Provence.
Van Gogh não era entendido na sua época. Seus quadros que hoje alcançam valores incalculáveis quando de sua pintura de nada valiam. Até hoje se percebe a Provence através de suas pinturas, como os campos de lavanda e das plantações de girassol, bem como a luminosidade e magia da Provence.
Mais ao norte fica Saint Remy de Provence, uma das muitas cidades antigas. Esta fundada pelos romanos. Para mim uma das mais lindas da Provence. As fotos abaixo dão o tom da cidade e daquilo que representa em termos de detalhes e charme.
A região é destacada produtora de vinhos. Aqui fica a denominação de Côtes-d’Aix- en – Provence com destacada produção de tintos com a casta Mouvèdre e os roses. Aqui de vários estilos, desde os mais encorpados com as uvas Grenache e Mouvèdre, até as mais leves com as castas Cinsault e Grenache. E uma menor chamada de Le Baux-en-Provence.
Bandol, talvez a mais espetacular cidade produtora de vinhos da Provence, não só tem grandes roses como ali está a Mouvèdre, uma das grandes uvas tintas do Mediterrâneo.
Produz vinhos na Espanha com o nome de Monastrell, mais especificamente em Jumilla, Murcia, por exemplo. Mas é em Bandol que eu penso que desenvolveu sua plenitude.
Para os amantes do vinho, Bandol, quando estampado no rótulo, como nesta garrafa significa, além de região demarcada para produzir tintos é garantia de roses mais encorpados e aromáticos. Ou quem sabe o mais importante vinho tinto da Provence. Um Baldol com a uva Mouvédre. Rico, cheio e pleno de aromas e sabores. Um vinho bastante longevo e delicioso.

 

 

 

 

 

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Peter Wolffentüttel
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