Em meados do séc. XVI, os conquistadores espanhóis levaram as vinhas à toda  extensão longitudinal da Capitania Geral do Chile. Para sorte dos colonizadores, os Andes eram, e continuam sendo,  uma barreira natural contra a proliferação das  pragas do oídio e da filoxera, o que muito contribuiu para o crescimento da produção de uvas e, consequentemente, de vinhos.

Não demorou muito e o Chile parou de importar vinho da Espanha, chegando mesmo a abastecer outras colônias mais ao norte. Na tentativa de reverter a situação, a Coroa expediu vários decretos, mas a colônia ignorou as ordens e continuou a sua produção, mantendo o mesmo sistema para o cultivo das videiras, bem como, a mesma tecnologia na fabricação de vinhos. Com a independência do Chile, em 1818, a elite do novo país, passou a ter acesso aos vinhos franceses. Alguns dos seus membros investiram na importação de cepas, em especial, as de Bordeaux e contrataram o francês Claudio Gay para trabalhar na melhoria das vinhas avaliando, de forma cientifica, a sua qualidade. Na mesma época, Silvestre Ochagavía, introduziu no Chile as cepas malbec, merlot, cabernet sauvignon, pinot, sauvignonblanc, riesling e, sem saber, a carmenère que só seria (re) descoberta depois de mais de um século. Já Alberto Valdivieso se aventurou exportando cepas brancas como chardonnay e pinot noir, produzindo um vinho espumante. Esses vinhos passaram a ser denominados burdeos, Bordeaux em espanhol.

Neste período surgiram vinícolas como: Conchay Toro, Santa Carolina, Errázuriz, Urmeneta, Santa Rita. Com as cepas, chegaram viticutores e enólogos franceses que, além do savoir-faire europeu, trouxeram novas tecnologias vinícolas:  maquinário, toneis e barricas de carvalho e o  sulfito que, pelo alto custo, ficaram restritas aos produtores dos vinhos burdeos, pois os produtores de vinhos tradicionais, não tinham capital para investir nas mesmas. A exceção foi a substituição das tinajas, feitas de barro,  pelas pipas, utensilio intermediário entre os toneis e as barricas. No caso dos vinhos de País, fabricado com as primeiras uvas trazidas pelos colonizadores espanhóis, as pipas foram feitas  utilizando o rauli, madeira local, em substituição ao carvalho europeu, de alto custo. Foi, justamente por usar essas  pipas que o vinho artesanal passou a ser chamado pipeño. O Chile passou a ter dois tipos de vinhos: os burdeos e os  pipeños. Os primeiros consumidos pela elite e os  pipeños pelos demais, que representavam uma quantidade muito maior de pessoas. Não é sem razão que durante décadas foram produzidos em maior volume.

Em 1863 a praga da filoxera, que começou na França, se espalhou por toda a Europa, prejudicando imensamente grande parte dos vinhedos não só desse continente, mas também, da Austrália, Califórnia e África do Sul.  Foi quando os vinhedos chilenos, que se mantiveram livres da contaminação, foram utilizados para a recuperação da indústria no mundo.Parecia que o Chile tinha tudo para continuar a sua trajetória exitosa na indústria vinícola.

Continuação…

 

 

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Victor Calmon