Se você circula no universo vinícola, ou é um curioso sobre o assunto, certamente já ouviu alguém dizer que um vinho tem o estilo do “velho mundo”, identificado, principalmente, como a Europa,   ou,  o toque de novidade do “novo mundo” representado por países mais jovens, em especial, os colonizados pelos europeus, ou por países que se especializaram na produção de vinhos  recentemente, como  Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Chile, África do Sul e o Brasil.

Na verdade, o estilo dos Vinhos do Velho Mundo remete à tradição. De modo geral, são elaborados de acordo com as práticas enológicas passadas de geração à geração. Assim, a produção e conservação do vinho, desde o plantio, escolha do solo, vindima, produção, envelhecimento, engarrafamento e venda buscam manter as características originais. Os produtores do velho mundo dão grande importância à especificidade da região, à singularidade do seu terroir, ou seja, as relações entre o solo e o micro-clima particular, que possibilitam o nascimento de um tipo de uva, que revela livremente a qualidade, tipicidade e identidade de um grande vinho. Por esta razão, os aromas, os sabores, as cores e outras características dos vinhos do velho mundo são identificados pela particularidade de suas regiões de origem (Bordeaux, Porto, Chianti, Rioja, etc), e os rótulos são obtidos mediante uma combinação de fatores que envolve clima, solo e métodos de vinificação de uma região específica.

Já o estilo dos Vinhos do Novo Mundo remete à flexibilidade. As práticas enológicas não repousam totalmente na tradição de cada região. Como a vitivinicultura, ou seja, o cultivo das vinhas e o fabrico de vinhos, é uma atividade relativamente nova nos países do novo mundo, e não obedece a regulamentações regionais tão restritivas, os produtores têm a liberdade de adaptar-se ao cultivo de determinada classe e, até mesmo, de alterar as características de seus produtos com o objetivo de atender às especificações de demanda de determinado mercado consumidor sem grandes problemas. Para tanto, a tecnologia é uma grande aliada. Sem dúvida a agricultura moderna, com técnicas como colheita mecânica, irrigação industrial e vinhas projetadas, facilitou a vitivinicultura no novo mundo, contribuindo para se alcançar às condições ideais de cultivo das classes europeias e a um nível de excelência na elaboração de vinhos.

 

 

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Victor Calmon
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