Certa vez eu e meus amigos, Felipe Santos e Fernando Mendonça, fomos convidados para uma degustação a cegas, em um famoso restaurante e adega daqui de Vitória/ES. Chegando lá conheci grandes apreciadores do Vinho. Um deles me falou de um filme que tinha visto na faculdade. Na época não levei em consideração, mas hoje sei da grande importância deste filme que, baseado em fatos reais, pode fazer a diferença na hora de se degustar um vinho.

Em 24 de maio de 1976, Steve Spurrier, um jovem inglês proprietário de uma das melhores lojas de vinhos em Paris e de uma prestigiada escola de sommeliers, organizou uma degustação às cegas. O evento, que estava sendo chamado de “Degustação do Século”, reunia vinhos Chardonnay e Cabernet Sauvignon da Califórnia, para serem confrontados com os melhores vinhos franceses. O objetivo era expor e divulgar os vinhos americanos, dos quais Steve Spurrier era um entusiasta e, é claro, promover sua loja.

O júri do evento era formado por 9 experts, representantes da elite da cultura de vinho da França. Entre eles, representantes do conselho regulador do sistema de denominação AOC (Appellation d’Origine Contrôlée), do Instituto de Enologia da França, donos dos melhores restaurantes franceses, e sommeliers.

Na primeira fase da degustação, 6 vinhos Chardonnay da Califórnia e 4 vinhos da Borgonha, foram degustados às cegas, sem que o júri soubesse qual taça pertencia a qual garrafa.

Na segunda fase, foi a vez de 6 vinhos Cabernet Sauvignon californianos, com 4 cortes de Bordeaux.

Nas duas etapas, as melhores avaliações couberam a vinhos da Califórnia, sem que os jurados soubessem a procedência do que estavam degustando. Mas o mais surpreendente, para a época, foi o fato de que os especialistas se confundiram com os vinhos, não conseguindo diferenciar californianos de franceses, ao contrário do que se esperava de paladares tão treinados.

Alguns dias após o evento, a revista Time publicou, na agora histórica edição de 07/06/1976, um pequeno artigo contando o resultado da degustação. O artigo virou um livro, o livro virou um filme, e a história ficou famosa, assim como os vinhos da Califórnia…

A história deixa claro que comentários mordazes que os juízes fizeram, pensando se tratar de vinhos da Califórnia, na realidade, diziam respeito a conceituados vinhos franceses.

Apesar da decepção dos franceses à época, na verdade, o fato é lisonjeiro aos crus da França. Na realidade o que os americanos fizeram, ao produzir esses excelentes vinhos, foi tentar imitá-los… Irônico, não é?

Por fim quero deixar claro o aprendizado que tirei para minha vida, não se deve  julgar um vinho pelo custo e/ou pelo seu rotulo, pois, o vinho depende muito do gosto de cada um!

Abaixo deixo o links de outras matérias sobre o filme Revista ADEGA, A degustação que abalou o mundo, especializada em vinhos.

GOURMMELIER, O Julgamento de Paris, uma degustação histórica.

 

 

 

 

 

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Victor Calmon
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