Ao degustar um vinho você já observou que, próximo à parte superior da taça , uma linha se configura como um anel de líquido claro a partir do qual se formam gotas que escorrem de volta ao vinho?  Se ainda não observou, na próxima degustação faça como a maioria dos profissionais, enófilos e apreciadores de vinho: gire o líquido na taça por alguns instantes. É quase certo que você verá, em seguida, alguns filetes escorrendo pelas paredes da taça, são as “lágrimas do vinho”, também conhecidas como pernas, arcos, abóbadas, arcadas, cortinas ou janelas de igreja, entre outras denominações.

O fenômeno das “lágrimas do vinho”, também conhecido como , foi identificado lá no século XIX. Primeiro pelo físico James Thomson,  em 1855,  mas  foi o físico italiano Carlo Marangoni, que fez um estudo mais profundo para  sua tese de doutorado na Universidade de Pavia e publicou seus resultados em 1865.  Além disso, Josiah Willard Gibbs, físico-matemático americano, fez uma completa discussão teórica em seu trabalho “Sobre o Equilíbrio de Substâncias Heterogêneas”.

Numa linguagem bem simples, o fenômeno pode ser explicado da seguinte forma: O vinho é sobretudo uma mistura de álcool e água com açúcares, ácidos, corantes e saborizantes. Assim, ao ser girado forma uma fina película nas paredes internas da taça. O álcool, por ser mais volátil, começa a evaporar com uma velocidade maior que a água e, a alta tensão superficial que permanece na parede da taça, faz com que surjam as famosas “lágrimas” que, devido à ação da força da gravidade escorrem pelas paredes da taça, de volta ao vinho.

Na verdade, a intensidade deste fenômeno depende apenas do teor de álcool do vinho. Quanto mais alto o teor do álcool, mais facilmente se observa as “lágrimas”. Simples assim: quanto mais alcoólico é o vinho, maior é o número de “lágrimas”, mais juntas e mais lentamente elas escorrem pelas paredes da taça. Quanto menor o teor do álcool, menor o seu número de “lágrimas, mais afastadas e mais rapidamente elas escorrem de volta ao vinho.

Se quiser eliminar as “lágrimas”, basta tampar o copo. O vinho vai parar de chorar, ou sequer vai chorar.

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Raquel Lima Egypto
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